Nota
Diante da escalada das tensões entre Estados Unidos e Irã, o mercado internacional de petróleo opera sob forte volatilidade. Há registros de mais de 150 navios aguardando condições seguras para atravessar o Estreito de Ormuz, rota estratégica por onde passa cerca de 25% do petróleo mundial. Esse cenário já elevou projeções do barril para níveis próximos a US$ 100 em contratos internacionais.
Mesmo sem anúncio formal de reajuste pela Petrobras, a paridade internacional amanheceu pressionada, ampliando a diferença entre os preços domésticos e as referências externas, especialmente no diesel (-0,84)e na gasolina(-0,28). O mercado já começa a ajustar seus preços em função desse novo patamar de risco.
“Esse movimento também influencia o etanol, que mantém relação direta de competitividade com a gasolina. Quando há pressão na gasolina, o etanol tende a acompanhar, especialmente em período de transição de safra no Nordeste, quando a oferta regional diminui”, explica o presidente do Sindicombustíveis-PE, Alfredo Pinheiro Ramos.
Ele alerta que estados do Nordeste, entre eles Pernambuco, possuem uma dinâmica singular. A região é amplamente abastecida por produto importado e por refinarias privadas, como a Acelen, cujos preços seguem a paridade internacional. Assim, variações no barril e no dólar impactam diretamente o custo de reposição.
Os postos estão na ponta final da cadeia e compram exclusivamente das distribuidoras, não tendo ingerência sobre preços de refinarias ou importadores. “Não se trata de anúncio de aumento, mas de um alerta técnico sobre um cenário internacional aquecido que pode gerar impactos ao longo da cadeia de abastecimento”, finaliza ele.
